Puxão de orelha cá

“O PT não tem dono. Em outros partidos, ou é uma família que comanda ou é uma pessoa só”, desabafou o presidente do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, Jackson Macedo, em um claro sinal as grandes forças políticas do estado – PV, PSDB e PSB.

Em nota no último sábado, o PT desenha uma candidatura própria ao Governo do Estado em detrimento a composição que o PSB faz para as eleições 2018, com integrantes do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) – cenário condenável para Jackson e outros petistas.

Puxão de orelha lá

O pré-candidato João Azevedo (PSB) é daqueles que acredita que PSB e PT reúnem mais convergências do que divergências. O que não o impediu de comentar a dura nota emitida pelo Partido dos Trabalhadores no último sábado (28), que desenha uma candidatura própria ao Governo do Estado em detrimento a presença de apoiadores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na chapa socialista.

“Uma declaração antecipada não traz benefício nenhum para ambas as partes”, analisou.

Nas entrelinhas, João puxou a orelha do PT.

Papo indigesto

Quem parece que não digeriu bem a dissidência do pré-candidato a deputado federal Inaldo Leitão (PSD) em apoiar a pré-candidatura de João Azevedo (PSB) ao Governo do Estado é o presidente do partido na Paraíba, o deputado Rômulo Gouveia (PSD). Nos bastidores, Rômulo trata a opção de Inaldo como assunto negativo.

Veja: Delator diz que Aguinaldo negociou propina com Pezão

O ex-ministro da Cidades e atual líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (Progressistas), teria negociado uma suposta propina com o governador do Rio de Janeiro, Fernando Pezão (MDB). A informação é da coluna Radar, da revista Veja, na manhã desta segunda-feira (30).

Segundo Veja, o acordo aconteceu durante um jantar que teve a participação de Ribeiro e Pezão em 2014, antes do paraibano deixar o Ministério das Cidades.

A propina, de acordo com a coluna, era para a liberação de empréstimos no FGTS para obras na Baixada Fluminense.

A negociação foi divulgada na delação premiada do ex-secretário do Rio de Janeiro, Hudson Braga.

Confira a publicação

O ex-secretário Hudson Braga em sua delação narrou um episódio com o ex-ministro das Cidades Aguinaldo Ribeiro.

Aconteceu em 2014. Era um jantar. Luiz Fernando Pezão também estava presente.

Na ocasião, Ribeiro teria dito que seu sucessor na Esplanada, Gilberto Occhi, era sua indicação, junto com o senador Ciro Nogueira. Contou vantagem.

E naquele ponto começou a baixaria. Ele teria cobrado o pagamento de propina para liberação de empréstimos no FGTS para obras na Baixada Fluminense.

O crédito seria de 3,5 bilhões de reais. O equivalente, por fora, seria 15% desse valor.

Após negociarem, Ribeiro teria aceitado 0,5% do montante como sua parte devida.

O combinado seria que a OAS faria o depósito, que não ocorreu porque no dia acertado para a negociata a empreiteira sofreu um mandado de busca e apreensão.

PT imprensa PSB em nota

Através de diretórios municipais, o PT emitiu nota na noite deste sábado (28) para reforçar o desejo de candidatura própria ao Governo do Estado. O objetivo é assegurar o palanque da candidatura presidencial do partido na Paraíba.

O PT condena o PSB por se juntar segundo a legenda “com lideranças e partidos conservadores que apoiaram (e ainda apoiam) o golpe”, desta forma rompendo com a candidatura socialista ao Governo do Estado.

A nota diz que, apesar do governador Ricardo Coutinho (PSB) manter “postura firme e corajosa no enfrentamento ao golpe”, o PT entende que “não pode definir os seus rumos políticos tendo como norte apenas a retribuição a um posicionamento que, a rigor, era o esperado”.

O PT também critica o PSB por tentar lançar o nome do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, para concorrer ao Palácio do Planalto.

O martelo será batido em reunião da executiva estadual, marcada para o dia 26 de maio.

Leia a nota

*CARTA ABERTA AOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS DO PARTIDO DOS TRABALHADORES DA PARAÍBA*

No próximo dia 26 de maio, o Encontro de Tática Eleitoral definirá os rumos do Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2018 na Paraíba. Nesse sentido o PT/PB afirma, em resolução política recentemente aprovada, que nossa prioridade absoluta é a eleição do companheiro Lula e reitera a estrita observância a uma das principais deliberações do VI Congresso Nacional do PT: não apoiará e nem participará de chapas com partidos ou lideranças políticas que apoiaram o golpe.

Embora o PSB tenha fechado questão e votado em bloco pelo impeachment sem crime da presidenta Dilma – sendo, portanto, cúmplice decisivo do golpe – a resolução política aponta para a possibilidade de diálogo com João Azevedo, evocando o apoio e solidariedade do governador Ricardo Coutinho à companheira Dilma e ao companheiro Lula nos momentos mais difíceis.

Nós reconhecemos e agradecemos ao governador por sua postura firme e corajosa no enfrentamento ao golpe, mas o PT/PB não pode definir os seus rumos políticos tendo como norte apenas a retribuição a um posicionamento que, a rigor, era o esperado, pois diante dos processos flagrantemente ilegais, ilegítimos, injustos e inconstitucionais que levaram à deposição da companheira Dilma e à prisão do companheiro de Lula, cabia (e ainda cabe) às lideranças do campo progressista, a solidariedade e a resistência. Para o militante de esquerda, estar ao lado da Democracia, da Constituição e da Justiça na conjuntura de um golpe de Estado não é um favor a ser retribuído, mas um dever a ser cumprido.

Ademais, o PSB vem definindo opções eleitorais que colidem frontalmente com os interesses da esquerda, do PT e do campo progressista. Em nível nacional, a legenda está prestes a lançar a candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República, um homem sem propostas para o Brasil, o candidato dos sonhos da direita. Um ex-ministro que, na Suprema Corte, se portou como um reles justiceiro sob o comando da mídia corporativa, com o único objetivo de criminalizar o PT. Foi ele o primeiro a rasgar a Constituição, dando início ao golpe por meio de esdrúxulo uso da “teoria do domínio do fato” – aliás, rejeitado pelo próprio autor – para levar à prisão, mesmo sem provas, dirigentes e militantes históricos do PT, como José Dirceu e José Genoíno. Na Paraíba, desenha-se uma chapa majoritária capitaneada pelo PSB com lideranças e partidos conservadores que apoiaram (e ainda apoiam) o golpe.

Ora, o povo brasileiro já entendeu a lógica do golpe e tem consciência da perseguição midiático-judicial ao PT e ao companheiro Lula, sentimentos que se objetivam na sua liderança em todas as pesquisas eleitorais à Presidência da República, no crescimento da aprovação do partido nas pesquisas de opinião e num expressivo processo de novas filiações, acelerado desde a prisão arbitrária e injusta do maior líder popular da história deste país, encarcerado numa solitária há 21 dias e, sadicamente, mantido incomunicável até hoje. Dia a dia, a indignação popular contra a prisão política de Lula se amplia e o PT cresce na confiança do povo, enquanto a militância conclama o partido ao protagonismo.

Assim, avaliamos que o PT/PB deve dialogar com os partidos de esquerda e construir uma candidatura própria ao governo do Estado, de maneira a atender à convocação da militância e oferecer uma alternativa eleitoral aos amplos setores da sociedade paraibana que, crescentemente, se sensibilizam e se mobilizam na resistência ao golpe e em defesa de Lula livre.

Só a candidatura própria do PT ao governo do Estado realmente garantirá um palanque ao companheiro Lula na Paraíba.

Paraíba, 28 de abril de 2018.

Márcio Caniello

Presidente do PT de Campina Grande

Luzenira Linhares

Presidenta do PT de João Pessoa

Alexandro Batista

Presidente do PT de Cabedelo

Severino Leôncio do Nascimento Sobrinho (Biló)

Presidente do PT de Santa Rita

José de Arimatéia Souto de Oliveira – Presidente PT de Bayeux

*Aberto para assinatura de outr@s filiados e filiadas*

Antônio radicaliza medalhões: “São mais do mesmo”

Homem forte do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Antônio Radical, condenou as pré-candidaturas de João Azevedo (PSB), Lucélio Cartaxo (PV) e José Maranhão (MDB). Radical trata o trio de enganadores da classe trabalhadora.

“São mais do mesmo. São pré-candidaturas que visam tão somente enganar a classe trabalhadora com propostas mirabolantes. Ao longo dos anos é isso que eles têm feito”, criticou Radical.

O PSTU se reúne nesta sexta-feira para apresentar uma candidatura ao Governo da Paraíba. Antônio Radical é o nome mais cotado da legenda.

PSB avisa: “Debate não vai ficar em torno de um partido”

Emissário do governador Ricardo Coutinho (PSB) para apaziguar os ânimos da relação com o PT, em reunião anteontem com Jackson Macedo, o secretário de Planejamento do Estado, Waldson Souza, avisou. “Esse debate não vai ficar em torno do ponto de vista de um partido ou de uma liderança só”, em referência à rejeição de petistas contra apoiadores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na chapa majoritária do pré-candidato João Azevedo (PSB).

PT endurece cobrança ao PSB

PT e PSB até tentaram aparar as arestas em reunião anteontem entre o petista e presidente da sigla na Paraíba, Jackson Macedo, e os socialistas Waldson Souza e Ronaldo Barbosa. Mas o saldo ainda não foi o ideal. “Em alguns momentos a reunião foi dura”, deu o tom Macedo.

Incomodado com a presença de apoiadores do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), na chapa majoritária do pré-candidato do PSB ao Governo, João Azevedo, Jackson Macedo admite que pode abrir diálogo com outras legendas. “Até o dia 26 de maio [encontro estadual do PT] continuaremos conversando com o PSB e outros partidos, buscando construir um bom caminho para as eleições de 2018”, disse.

Entre convergências e incômodos, até quando o PT seguirá falando grosso com o PSB?