Vídeo – De olho em 2020

O deputado federal Wilson Filho (PTB) não disputará a reeleição em 2018, mas sim uma vaga na Assembleia Legislativa, abrindo caminho para o pai e ex-senador Wilson Santiago retornar à Câmara. A curto prazo, a leitura que se faz até pode ser de marcha à ré na carreira política do promissor parlamentar. Mas não.

“Administrar sua cidade e estado não é sonho, é oportunidade. Oportunidade não cai do céu. A construção dessa oportunidade passa por eu estar na Paraíba. Viver o cotidiano de João Pessoa”, argumentou em entrevista ao Rádio Verdade, da Rede Arapuan de Rádios.

Wilson Filho não esconde. Quer ganhar impulsão para voos maiores.

Prefeitura de João Pessoa em 2020.

Aos amigos, as flores; aos inimigos, a coroa de espinhos

Políticos seguem quase sempre o mesmo roteiro. O governador Ricardo Coutinho (PSB) não é diferente. Atento a qualquer vacilo de seus opositores, o socialista não poupa adjetivos na hora de criticar. Por outro lado, faz de conta que pouco sabe quando a encrenca chega ao time laranja. Foi assim que tratou a denúncia da Procuradoria Geral da República contra o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB), pré-candidato ao Senado, por suposto desvio de R$ 75 mil no banco de alimentos de Campina Grande, em 2006.

“O Brasil virou uma fábrica de denúncia”, minimizou Coutinho antes de desmerecer a quantia investigada.

Aos amigos, as flores; aos inimigos, a coroa de espinhos.

Vídeo – Filha de Maranhão recebeu R$ 700 mil sem trabalhar, diz Lira

O senador Raimundo Lira (PSD) foi na canela de José Maranhão (MDB) ao ser comparado com Judas pelo emedebista.

Lira revelou ao Rádio Verdade, da Rede Arapuan de Rádios, que a filha do senador José Maranhão, Maria Alice Maranhão, recebeu no período de 2011 a 2014 cerca de R$ 700 mil do Senado Federal sem dar uma hora de trabalho.

A ‘negociata’ teria o envolvimento do então senador Vital do Rêgo.

“Esse emprego para a filha foi uma exigência feita por José Maranhão a Vital do Rêgo”, disse Lira.

Ao assumir a titularidade do cargo, com a nomeação de Vital para ministro do Tribunal de Contas da União, Lira explicou que chamou Maranhão para avisar que demitiria a sua filha. “Sugeri a Maranhão que devolvesse ao Tesouro Nacional todo o dinheiro recebido de  forma ilegal pela sua filha para que fosse investido em Saúde, Educação e Segurança Pública”, explicou.

Quase sempre manso, Raimundo Lira avisou: não mexe com quem tá quieto.

Álvaro Dias, sem medo de ser ‘duro’ numa Paraíba ‘molinha’ por Lula. Por Heron Cid

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. O senador Álvaro Dias se apresenta ao eleitorado paraibano como uma alternativa política vacinada contra a polarização entre os extremos, o PT de Lula e a proposta estridente de Jair Bolsonaro.

Na Paraíba desde ontem, onde cumpre agenda com passagens por Campina Grande e João Pessoa, Álvaro Dias adota discurso contundente contra o “sistema político” vigente no País, com uma reforma e especialmente cláusula de barreira, e fala azeitada contra a corrupção.

Eleição sem Lula é fraude, perguntou o autor do Blog, durante entrevista gravada nesta manhã. “Pelo contrário, eleição com Lula é que seria uma fraude”, foi a resposta, acrescentando asperamente: “No Estado de Direito, chefes de organizações criminosas estão sujeitos a julgamento, condenação e prisão”. Não se pode separar uns dos outros, adverte.

Dias chega à Paraíba sem um proposta específica para o Nordeste, como faz a maioria dos pré-candidatos. “O Nordeste é Brasil”, cravou, destacando, porém, as potencialidades econômicas e a vocação natural da região ao turismo.

Sobre a oscilação partidária, sete mudanças ao longo de sua  longeva trajetória política, Álvaro foi instado a responder: os partidos mudaram ou o senador? “Eu mudei de sigla procurando um partido”, ironizou, justificando as transferências ao desconforto de conviver com corrupção e balcão de negócios, via troca de cargos.

O senador paranaense tem um rosário de projetos que se coadunam com o momento atual e clamores sociais. Um deles, já aprovado no Senado e andando a passos de tartaruga na Câmara, é o do fim do foro privilegiado, tema que ele não acredita em bom desfecho no Supremo.

Favorável à prisão já em segunda instância, Dias assevera: “Há presunção de inocência e presunção de culpa”. Sua forma particular de enfatizar ponto da Constituição que autoriza e legitima o encarceramento antes do chamado trânsito em julgado.

Álvaro está dizendo o que parcela considerável dos brasileiros querem ouvir. Na Paraíba, ele repete tudo o que vem pregando, mas aqui encontra um obstáculo: o extrato do seu discurso é frontal contra Lula, dono de considerável prestígio no Estado da visita de Dias. Nada que iniba o candidato do Podemos.

Heron Cid

PGR denuncia Veneziano

A procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (2), uma denúncia contra o deputado federal Veneziano Vital do Rêgo (PSB) por se apropriar, conforme relatório, de R$ 75 mil destinados à compra de equipamentos e material de consumo para a instalação de um banco de alimentos em Campina Grande, quando prefeito da cidade em 2006.

Além de Veneziano, foram denunciados José Luiz Júnior (vice-prefeito de Campina Grande à época do crime), Rennan Trajano Farias (diretor financeiro da prefeitura) e Valdemir de Medeiros Cavalcanti (ex-diretor municipal de finanças).

A empresa contratada foi a Importec – Importação e Distribuição LTDA – que, além de não possuir capacidade técnica para fornecer os materiais que deveriam ser comprados, apresentou valores acima dos praticados pelo mercado.

Pedidos – Para a PGR, o parlamentar e os demais envolvidos cometeram o crime previsto no artigo 1º do Decreto 201/67 que prevê pena de dois a 12 anos de reclusão. Além da condenação penal, a ação requer a perda da função pública, a reparação do dano com a atualização do montante desviado e o pagamento de indenização por dano moral coletivo, em valor equivalente ao dobro do desvio. Nesse caso, o pedido se deve ao fato de a atuação do grupo ter gerado abalo “à confiança e à credibilidade das instituições públicas”. Raquel Dodge lembra que a ação atingiu a imagem da União e da prefeitura Municipal de Campina Grande, que foi utilizada para o desvio e a apropriação de dinheiro público destinado a uma finalidade humanitária.

Integra da denúncia

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Número de famílias que moram em prédios públicos ou abandonados em João Pessoa. O antigo prédio do INSS (Ponto de Cem Réis, no Centro), o antigo hotel em ruínas (Altiplano) e a Escola Estadual Índio Piragibe (Varadouro) são estruturas que representam alto risco. O levantamento é da Defesa Civil da Capital. A gestão municipal paga R$ 1,4 milhão em aluguel social para 700 famílias.

Ausência (não) sentida

O vice-prefeito de João Pessoa Manoel Júnior (PSC) já não é mais presença constante em solenidades da prefeitura. Em vias de rompimento com o agrupamento político do prefeito Luciano Cartaxo (PV), Manoel Júnior não se juntou aos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e Raimundo Lira (PSD) e o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) em visita as obras da Unidade Pronto Atendimento (UPA), no bairro Bancários, na manhã desta quarta-feira (2).

Falta uma criança no time que assessora Temer. Por Josias de Souza

Michel Temer sabe que um governante não deve brincar com a impopularidade. Quando Dilma Rousseff balançava no trono, ele declarou: ”Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo” de 7% de aprovação. Hoje, aprovado por apenas 6% da população, Temer vive trancado numa bolha de fantasia. Divide a bolha com o marqueteiro Elsinho Mouco, os amigos Moreira Franco e Eliseu Padilha, além de meia dúzia de áulicos. Juntos, desligaram-se da realidade.

Um presidente a oito meses do fim do mandato, com a imagem estilhaçada, às voltas com o derretimento de sua base parlamentar, sentindo o hálito quente da Polícia Federal na nuca… um presidente assim fabrica vexames a partir do nada. Costuma-se dizer que errar é humano. Mas escolher o erro, planejar o erro, discutir o erro minuciosamente com a equipe antes de cometê-lo, só mesmo Temer.

Na semana passada, a turma da bolha aconselhara Temer a sair do gabinete. Ele deveria circular, viajar mais, ver e ser visto. Neste 1º de Maio, de folga em São Paulo, o presidente foi aconselhado a exibir seu instinto de solidariedade para os desabrigados do prédio que desabou em chamas no centro de São Paulo. Tudo deu errado. A hostilidade, os xingamentos, os gritos de “golpista”, os tapas na lataria do carro oficial… Tudo.

Amplificado no noticiário, o vexame sobreviverá nas redes sociais como um aviso sobre os perigos a que estão submetidos os habitantes do país da bolha. Temer talvez devesse aproveitar a ocasião para incorporar uma criancinha à sua equipe de assessores —alguém com mais de cinco anos e menos de dez, com lucidez suficiente para identificar a diferença entre fantasia e realidade.

Sempre que a realidade deixasse de existir, restando apenas a fantasia, a criancinha arrastaria o presidente de volta para o mundo real. Se Temer tivesse consultado Michelzinho sobre a ideia de levar sua impopularidade para passear no centro de São Paulo, o menino decerto perguntaria: “Ficou maluco, papai?”

E os apologistas de Temer, contaminados pelo discernimento de uma criancinha, concluiriam que é melhor o presidente permanecer na bolha. Não resolve o problema da impopularidade. Ao contrário, pode até agravá-lo. Mas facilita a vida dos seguranças.

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