Presidente eleito terá de governar já na transição. Por Josias de Souza

Além dos reflexos econômicos, a crise dos caminhões deixará marcas políticas. O governo já havia entrado em colapso ético em maio de 2017, quando explodiu o grampo do Jaburu. Na crise atual, o que se convencionou chamar de gestão Temer viveu um apagão administrativo. No momento, Temer dispõe de uma equipe inepta, uma base congressual estilhaçada e uma autoridade que cabe numa caixa de fósforos. Tudo isso leva o mercado, a sociedade e os atores políticos a desligarem o presidente da tomada.

Entre o colapso moral de maio de 2017 e o apagão de maio de 2018, o desgoverno de Temer operou em duas velocidades que podem ser consideradas insultuosas. Moralmente, foi ligeiro como um punguista. Gerencialmente, foi lento como uma lesma. A autoridade de Temer ruiu porque a sociedade tem a exata percepção de que honestidade e eficiência são como virgindade. Quem perdeu não recupera.

A crise dos caminhões fez de Temer um presidente terminal. Ele não deixará a Presidência, terá alta. Sairia em 1º de janeiro de 2019. Mas, na prática, seu mandato será encurtado para 28 de outubro. Nesse dia, o brasileiro escolherá, em segundo turno, o próximo presidente da República. A realidade forçará o presidente eleito a iniciar o novo governo já na fase de transição. Temer, que se queixava de ser tratado por Dilma como um vice “decorativo”, permanecerá no Planalto até 1º janeiro como um vaso quebrado à espera de ser removido para o entulho da história.

UOL

Vai faltar dinheiro

A Associação Brasileira de Transporte de Valores informa: empresas que fazem o serviço na Paraíba só têm mais 24 horas de estoque de combustível garantido para carros-fortes, publicou o Portal MaisPB.

“Ao Portal MaisPB, a ABTV disse que as cidades do interior do estado são as mais atingidas. Porém, as empresas, que não puderam ter os nomes revelados, estão fechando parcerias nas regiões para solucionar o problema de abastecimento nos veículos”.

Mais cedo, ao Rádio Verdade, da Rede Arapuan de Rádios, o presidente do Sindicato dos Bancários, Marcelo Alves, demonstrou a mesma preocupação.

Ricardo, Cássio e o ICMS

O debate em torno do ICMS, o imposto estadual sobre o preço dos combustíveis, foi novamente levantado na Paraíba. E desta vez pelo governador Ricardo Coutinho (PSB), nesta segunda-feira (28), durante o “Fala Governador”, programa oficial do governo. O socialista atribuiu para o ex-governador e atual senador Cássio Cunha Lima (PSDB) a alta cobrança do tributo no preço da gasolina no Estado, hoje em 29%.

Ricardo disse que em 2003 o ICMS da gasolina era 17%, com aumento em 2004 para 25% e nova alta para 28%. “E ele na cara de pau diz que foi culpa do atual governo. Aumentou o ICMS em uma época de bonança e fartura. Aumentou 70%. Quando a crise estoura e, para não ser cobrado de sua atitudes, esse cidadão vem dizer que a culpa e do meu governo”, atacou.

A reposta de Cássio não demorou muito. Pelo twitter, o tucano voltou a cobrar de Ricardo a redução do imposto, como fez semana passada. “Se não quer reduzir, não invente desculpas”, rebateu.

“Muita gente pergunta: vai responder Ricardo? Ora, essa briga dele já perdeu a validade. O que interessa é: prestes a acabar o governo, após de 7 anos e 5 meses, por que Ricardo não reduziu o ICMS sobre combustíveis? Culpar os governos anteriores chega a ser engraçado”, tuitou Cássio.

“O momento exige redução de impostos. É uma exigência da sociedade, e cabe a ele reduzir. Se não quer reduzir, que não invente desculpas”, completou.

Como quase tudo na Paraíba, a crise do combustível também virou confronto político. Sem novidades.

Um País em chamas. Por Heron Cid

As consequências da greve dos caminhoneiros superam em muito os prejuízos de filas nos postos de gasolina e falta de mercadorias nas prateleiras.

Os cancelamentos de aulas nas escolas, a suspensão de cirurgias em hospitais públicos, as ruas e comércio esvaziados e a sensação de paralisia geral revelam mais.

O Brasil está em chamas. Manifestantes fazem barulho, mas o ambiente inflamável deu espaço para até vândalos aproveitarem para tocar fogo no terror.

Dentro dessas labaredas, joga-se de tudo. Gente desavisada e alheia ao movimento interrompe estradas, moradores fecharam ruas e todos colaboram de alguma forma para o caos generalizado.

Essa instabilidade não é de hoje, mas empurra muitos nesse movmento, uns por desinformação outros por uma nova expressão de anarquia, a defenderem a intervenção militar como saída.

Há um sentimento generalizado de incertezas poucos meses antes das eleições, mas esse quadro tosco não pode tirar do cidadão a convicção de que a urna é o único remédio legítimo contra o abismo a que afundamos.

Os fracassos e deslizes na nossa democracia não devem servir, jamais, para justificar atos de força, intolerância e usurpação do direito de escolha.

Pelo contrário, é o Estado Democrático de Direito o nosso maior bastião. Não fosse ele, em vez do ronco das ruas e das redes, as expressões máximas da liberdade de expressão, estaríamos anestesiados pelo falso silêncio como regra e a covardia como amiga.

Heron Cid

Oito dias de greve: as fotos da segunda-feira em João Pessoa

Longas filas nos postos, escolas sem aulas, supermercados desabastecidos e mercado vazio foram cenas comuns nesta segunda-feira (28) na capital da Paraíba – oitavo dia de greve dos caminhoneiros no país.

Lyceu Paraibano ficou sem aulas

Alunos do Lyceu Paraibano foram liberados das aulas, como quase toda Rede Estadual de Ensino

O agitado Mercado Central de João Pessoa não recebeu feirantes nem clientes. Deu até para pegar um cochilo…

Supermercados não receberam frutas

Nem produziram o bendito pão francês

Avenida Tabajaras, no centro, virou deserto

Filas…

E mais filas para abastecer nos postos

Caminhão-tanque abastece posto de gasolina nos Bancários. Mais raro que dinheiro no fim do mês

Mais festejado que o Neymar

Fotos: Maurílio Júnior

“Sem nenhum prejuízo para a Petrobras”

Em pronunciamento agora à noite, o presidente Michel Temer abaixou as calças para os caminhoneiros.

Cedeu tudo.

Prometeu zerar a Cide e o PIS/Cofins incidentes no preço do diesel, o que reduz em R$ 0,46 centavos o valor nas bombas. A medida será mantida por 60 dias e a partir daí os reajustes serão mensais.

Temer também prometeu editar três medidas provisórias: uma para acabar com a cobrança de pedágio sobre eixo suspenso – nas rodovias federais e estaduais -, outra para garantir 30% dos fretes da Conab para esses profissionais e uma terceira para estabelecer a tabela mínima de frete.

E assegurou:

“Sem nenhum prejuízo para a petrobras”.

Para quem vai sobrar esse prejuízo?

Deputados ficam ilhados na PB

O desembarque dos parlamentares paraibanos, em Brasília, nesta segunda-feira (28), a pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB), não será simples.

Falta combustível nos aeroportos do estado – Castro Pinto, em João Pessoa, e João Suassuna, em Campina Grande.

“Vamos ver como vai estar amanhã”, disse preocupado o deputado Efraim Filho (DEM).

“Vou voltar nem que seja de carro”, brincou o deputado Pedro Cunha Lima (PSDB).

A assessoria do senador José Maranhão (MDB) desconhece o plano do emedebista para voltar à capital federal. Maranhão está em pré-campanha ao Governo da Paraíba.

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) decidiu permanecer em Brasília desde sexta-feira (25).

“É fundamental que, neste momento, a Câmara dos Deputados esteja atenta e pronta para colaborar com soluções para os graves problemas enfrentados pelo país”, enviou Maia aos deputados.

Já Eunício quer votar o projeto que regula os preços de fretes rodoviários. A votação do projeto está incluída no acordo firmado entre o governo e caminhoneiros na quinta-feira (24).