Um país surreal

Não é normal um país parar numa sexta-feira à noite para acompanhar um tribunal decidir os rumos de uma eleição.

Não é normal que isso aconteça a trinta e sete dias do pleito mais importante da história do país.

Não é normal que o óbvio seja discutido – a Lei da Ficha Limpa proíbe que pessoas condenadas em segunda instância possam concorrer a qualquer cargo eletivo.

Não é normal que um ministro reconheça a inelegibilidade de um político corrupto e ainda assim ataque a soberania de um país em detrimento a uma recomendação de dois peritos.

Condenado, preso, Luiz Inácio Lula da Silva não poderá ser candidato, é ficha suja (!!!), mas o Brasil não deixa de ser surreal.

Violência na Paraíba: a vida real confronta discurso oficial

Heron Cid – Terça-feira à noite. Graco Parente e Zé Gadelha Neto, respectivamente secretários adjuntos de Turismo e Trabalho, são assaltados por homens armados no bairro de Cruz das Armas, após uma atividade de campanha.

Quinta-feira, fim da manhã, o sargento Josélio de Souza Leite, de 52 anos, é executado dentro da guarita do Batalhão do Corpo de Bombeiros, em Mangabeira.

Noite da mesma quinta, em Campina Grande, bandidos assaltam o carro do vice-prefeito da cidade, Enivaldo Ribeiro. Enquanto o político participava de um jantar, motorista e assessores do lado de fora foram rendidos.

No mesmo horário, em João Pessoa, a candidata ao Governo do Estado, pelo PSTU, Rama Dantas, era vítima de assalto à mão armada no bairro dos Bancários. Dela, levaram bolsa, documentos e objetos pessoais e ainda lhe machucaram.

Uma sequência de fatos reais que insiste em atropelar a teoria do discurso oficial da Segurança Pública da Paraíba. E esses são os casos que ganham notoriedade pelo CPF das vítimas famosas.

A esta altura, vale um conselho.

Não é exagero e é salutar reforçar a segurança de personalidades proeminentes do Governo. Pra evitar constrangimento público ainda maior do que se viu nos últimos dias, uma semana que o paraibano bem que gostaria de riscar da memória.

Há Fair Play na eleição?

Fair Play, ou jogo limpo, é algo distante da realidade de um processo eleitoral. Cercado por assessores, candidatos são municiados por inúmeras informações sobre os adversários. A finalidade, porém, é uma só: desconstruir a imagem do oponente.

Em busca de um cenário utópico, o Blog foi atrás dos candidatos ao Governo da Paraíba. É possível se desarmar e reconhecer pontos positivos dos adversários, elevando por um instante o nível do confronto de ideias? Procurado, o senador José Maranhão, candidato do MDB, foi o único que não atendeu a solicitação.

Para o candidato do PSB, João Azevedo, o questionamento não faz sentido, uma vez que, “coisas são colocadas nos debates de uma forma muito genérica”. Lucélio Cartaxo, do PV, e Tarcio Teixeira, do Psol, elogiaram o programa de estradas da gestão do governador Ricardo Coutinho (PSB), mas não pontuaram sobre o que José Maranhão propõe.

O que disseram os candidatos.

João Azevedo (PSB)

As coisas são colocadas nos debates de uma forma muito genérica. Eu teria evidentemente pegar o que está proposto dentro do plano (de governo) para fazer algum comentário. Eu poderia cometer algum absurdo em citar coisas que não estavam no plano. Não faz sentido pra mim.

Lucélio Cartaxo (PV)

Vou dar um exemplo: em relação às estradas (case de sucesso do governo do PSB), nós não só iremos manter essa política, como iremos aperfeiçoar. Vamos continuar desenvolvendo esse projeto.

Tarcio Teixeira (Psol)

Não parei para ler o plano de governo dos adversários, mas é uma das coisas que a gente vai ter depois do processo eleitoral. Caso tenha alguma proposta que se encaixe no perfil e na defesa que a nossa candidatura tem feito estaremos inserindo. Mas há algumas questões objetivas que percebemos. O candidato Lucélio Cartaxo defende a construção do hospital de trauma do Sertão. Essa é uma defesa que o Psol tem defendido desde 2010. É algo que defendemos, mas sabemos que é uma questão para além da posição de um Governo do Estado. A gente na institucionalidade tem os limites a serem alcançados, mas podemos contribuir para reduzir a desigualdade social desde já. Quanto ao candidato do Governo (João Azevedo), tem apresentado vários números, mas não tem sido objetivo em se apresentar quanto alternativa, a não ser a continuidade de algumas coisas que tem dado certo e é importante reconhecer, a exemplo das estradas que foram feitas, mas acrescento a necessidade de manutenção. Quanto a Maranhão, não consigo perceber de forma alguma algo que tenha sido apresentado que coincida com a gente.

1º secretário deixa PSB da Paraíba e anuncia voto em José Maranhão

Heron Cid – Flávio Moreira, primeiro secretário da Executiva Estadual do PSB, é militante da legenda desde antes de o governador Ricardo Coutinho alcançar as escadarias do Palácio da Redenção. No governo socialista, exerceu cargos de confiança. No PSB, postos de direção. Essa relação acabou ontem em carta do até então diretor da Cinep ao presidente estadual da legenda, Edvaldo Rosas.

Flávio alegou o fim de um ciclo e pregou a renovação política como necessária. Deixou claro que votaria em Ricardo Coutinho, mas ressaltou: João não é Ricardo. Moreira disse ‘não’ ao que chama de “suposta continuidade”.

Na carta, Flávio fala em ‘renovação. Ao Blog, anunciou voto em José Maranhão (MDB).

O ex-socialista faz um movimento parecido com o presidente estadual do PRTB, Fábio Carneiro. Nesse caso, Carneiro trocou as pastagens da Granja pela sombra de Água Fria e a candidatura de Lucélio Cartaxo (PV).

Dois gestos que são interpretados como sintomas de sinais dos tempos.

Confira a carta:

Ilustríssimo Senhor 

José Edvaldo Rosas

Presidente da Executiva Estadual 

PSB-PB

Em qualquer relacionamento haverá um momento de chegada e outro de partida. Nada é por acaso, devemos aprender com cada erro, cada perda, enfim, cada fato. Assim, seremos pessoas mais fortes, mais sábias, para passar então por outros tantos ciclos. Faz parte da vida! Aprenda com ela! Faça dos obstáculos trampolins para chegar a vitória.

Ninguém muda da sua casa confortavelmente. Aqui fiz mais que companheiros, fiz amigos, a exemplo de sua estimada pessoa. Gente do bem, na maioria que sequer ocupa cargos relevantes e que não aparece nos noticiários.

Enquanto gestor, experimentei desde a alegria do conseguir realizar à frustração de não conseguir e acompanhei, tristemente, o desvirtuamento de caráter de alguns ou, quiçá, a revelação destes.

Fui vítima de boatos, inverdades e intrigas, quase em sua totalidade originados do seio dos aliados e “companheiros”. 

Aos poucos, me senti cada vez mais desconfortável, fosse pela falta de consideração ao que era compromisso com o povo, fosse pela tristeza de ver o maior quadro da política paraibana recente, Ricardo Coutinho, ao lado e de gente com posturas que sempre combateu, tendo que aceitar tais circunstâncias, para conseguir realizar na Paraíba o tanto que foi realizado. 

Isso é inegável: a Paraíba mudou pra melhor. Mas todo ciclo tem seu fim e, pelas regras eleitorais em vigor, Ricardo não pode mais ser candidato.

Como praxe da política, alguém haveria de ser ungido e hoje é João Azevedo o escolhido para supostamente continuar o trabalho, mas, repito, não é Ricardo o candidato.

Ricardo sempre teve o governo nas mãos, é ele quem coordena de fato todas as áreas e pensa, com sua capacidade acima de qualquer média, aquilo que precisa ser feito. Acompanha, cobra e insiste até que as coisas se realizem.

Pra não alongar-me nesse ponto, deixo claro que, se fosse Ricardo o candidato, a Paraíba continuaria em ótimas mãos. Logo, minha escolha não se dá entre Ricardo e outro nome, mas sim entre uma suposta continuidade e uma alternância, que ao meu ver, é por demais necessária.

Sou e serei sempre crítico do golpe que culminou com a prisão do presidente Lula e o digo para introduzir as razões que me levam a desfiliação do Partido Socialista Brasileiro – PSB, que (apesar de na Paraíba, graças a valorosos companheiros ter mantido posição contrária ao golpe) após a morte de Eduardo Campos, grande líder de carisma agregador e habilidade (da boa) política insofismável, perdeu-se completamente, quedando-se as conveniências e definindo sempre posturas covardes e dúbias, no melhor estilo “vou pra onde a balança pender”.

Portanto, não poderia ser motivo para minha permanência no PSB a sua postura no golpe parlamentar. Envergonha mais do que aqueles que votaram pelo impeachment, mas tiveram depois a capacidade de reconhecer que erraram e lançaram o Brasil na pior crise de sua história.

Dito isso, passo a escolha que fiz, em relação a vida profissional. 

Deixei a atividade policial para dedicar-me ao mister da advocacia, para a qual passei mais de uma década me preparando. Em tempos difíceis, a decisão foi tomada. 

É aqui que as estradas começam a tomar rumos diferentes, pois advogado filiado a um partido político limita a sua atuação e compromete-se além do que recomenda o bom senso.

Completa essa guinada a minha crença que é preciso alternância de poder para que as pessoas entendam que não são donas de cargos, assentos e destinos.

Ao final, aprendi que construir pontes é muito melhor que implodi-las. Nos momentos em que fui gestor, tenho orgulho de ter sido firme, mas sempre justo e ter sempre, mesmo contra a vontade de alguns, reconhecido e valorizado aqueles que verdadeiramente trabalham, independente de suas convicções políticas.

Não me dobrei a certas condições e pedidos, bem como sempre optei por manter-me ao largo daquilo que não deve integrar a administração pública. 

Por tais razões, apresento hoje minha desfiliação do Partido Socialista Brasileiro, deixando por consequência o cargo de 1° Secretário da Executiva Estadual da Paraíba. 

Agradeço a todos os companheiros e companheiras pelo aprendizado, bons e maus momentos, lutas e vitórias e abraço a todos os que, igualmente, compartilham de um ideal de justiça social e meritocracia para a construção de um país melhor.

Ao governador Ricardo Coutinho, meu reconhecimento de grande gestor público, na certeza de que sempre retribuí a altura a confiança que me depositou nos cargos para os quais me nomeou.

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

João Pessoa, 16 de agosto de 2018.

Flavio Moreira

Haddad rejeita gíria

Fernando Haddad não quer ser chamado de poste.

Ao autor do Blog, o petista reagiu a gíria que denomina a sua missão no cenário eleitoral.

“Nunca ouvi isso da boca de alguém decente”, irritou-se.

Candidato poste é uma antiga gíria política num processo em que um líder popular sugere aos seus eleitores a adesão a alguém de sua confiança.

A transferência dos votos do ex-presidente Lula, preso por corrupção, para Haddad não tem sido simples. Marina Silva (Rede) é a candidata que mais herda votos (21%) dos eleitores do petista maior. Na sequência vem Ciro Gomes (PDT), com 13%, e só depois aparece Fernando Haddad, com 9%.

O poste ainda está apagado.

Haddad em João Pessoa: um coadjuvante

O candidato poste do PT, Fernando Haddad, é um coadjuvante de luxo no ato petista na manhã desta quinta-feira (23), no Esporte Clube Cabo Branco, em João Pessoa.

O ex-presidente Lula, preso por corrupção em Curitiba, e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), são de longe os mais lembrados pelos militantes e lideranças políticas. No caso do tucano, óbvio, o clamor é para derrotá-lo nas eleições de outubro.

“A disputa está posta. Será um acerto de contas”, disse o governador Ricardo Coutinho.

Bolsonaro bateu pino

Reinaldo Azevedo e Marina Silva (Rede) desmontaram o capitão Jair Bolsonaro. O candidato do PSL está decidido: não irá participar de mais nenhum debate. Na última sexta-feira (17), no debate da RedeTV!, a pergunta do jornalista sobre a dívida pública escancarou a incapacidade do candidato a presidente da República de lidar com tema.

Para piorar, Bolsonaro foi acuado por Marina Silva justamente no seu ponto favorito: o uso de armas de fogo. Marina disse ao candidato do PSL que ele acha que pode resolver tudo no grito, na violência. A candidata ainda o contrapôs sobre salários menores para mulheres.

A decisão de não participar mais de debates quebra a própria promessa em junho. Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o deputado disse que compareceria a todos os debates. “… podem ter certeza até porque estaremos levando propostas factíveis que vocês acreditam que podem ser atingidas”, declarou.

“Não se trata nem de uma estratégia, se trata de uma constatação. Nós imaginávamos que, de alguma forma, esses debates pudessem acrescentar alguma coisa, mas são debates naqueles formatos antigos”, justificou o presidente interino do PSL, Gustavo Bebianno, ao UOL.

Limitado, o capitão percebeu que sua aparição em debates o fragiliza. Afinal, não tem o que dizer.

Não arriscará perder votos.

No popular paraibanês, Bolsonaro bateu pino.

Aqui não!

A inauguração do comitê de João Azevedo (PSB) em Campina Grande não contou com a presença da vice-governadora Lígia Feliciano (PDT), candidata a vice do pessebista. A ausência tem como justificativa natural a participação do petista Fernando Haddad, adversário de Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial.

Azevedo foi assistido pelo governador Ricardo Coutinho, além dos candidatos ao Senado, Veneziano Vital e Luiz Couto.

Em Campina Grande, Haddad ataca Cássio: “Temos que derrotar os Cunha Lima”

O presidenciável do PT, Fernando Haddad, está na Paraíba. O petista participou na noite desta quarta-feira (22) da inauguração do comitê de João Azevedo, candidato do PSB ao governo, em Campina Grande. Em seu discurso, o poste de Lula exaltou a conduta do governador Ricardo Coutinho (PSB), a quem atribuiu a capacidade de assumir qualquer função no país, e atacou o tucano Cássio Cunha Lima (PSDB).

“O que o governador [Ricardo Coutinho] está pedindo é uma obrigação de todos nós. Se tivermos que voltar a Campina Grande para mais dez dias de campanha voltaremos. Nós temos que derrotar os Cunha Lima”, bradou Haddad.

“Queremos que o grande time que governou o país volte a ser governado pelo presidente Lula, um homem testado e aprovado. João [Azevedo], você tem um talento impressionante, mas Ricardo conseguiu atravessar o deserto Temer, impedindo a Paraíba de regredir. Você [João] vai saber o que é governar a Paraíba tendo um presidente que fala a língua do povo e que sabe tocar um projeto. Acompanhei o Lula na presidência, Lula não descriminava ninguém. Por isso fico ainda mais chateado com o Cássio [Cunha Lima]. Cassio era tratado como um filho e correligionário, embora sempre tenha sido do PSDB. Cássio não saia de Brasília sem trazer benefícios para o povo paraibano. E ele que deveria ser o primeiro a sair em defesa da honra do Lula fugiu para se aliar com Aécio e Temer”, discursou.

“Ricardo antes de tudo é um grande estadista, além de ser um grande administrador. Ricardo reúne muitos atributos em uma pessoa só. Ele não é reconhecido apenas pelo povo paraibano, mas pelo país  como um dos melhores gestores através de qualquer ranking indicador”, exaltou.

Fora de timing

A oposição ao prefeito Luciano Cartaxo (PV) até levou para Câmara Municipal, nesta quarta-feira (22), o polêmico aumento de 25% no número de servidores contratados pela Prefeitura de João Pessoa, entre janeiro e junho de 2018, segundo alerta do Tribunal de Contas do Estado, lembrou o vereador Léo Bezerra (PSB) ao Blog.

A oposição só não contava com a falta de timing do vereador Humberto Pontes (Avante), autor do irrelevante pedido de voto de solidariedade ao apresentador televisivo Alex Filho, que não teria sido cumprimentado pelo prefeito Luciano Cartaxo, no debate da emissora na última segunda-feira (20).

Abafou!