Alckmin abriu mão do Nordeste

O candidato a presidente pelo PSDB não programou nenhuma viagem de sua campanha para o Nordeste. Pelo menos para as duas próximas semanas, a assessoria de Geraldo Alckmin não soube informar quando o tucano visitará a região.

O foco da campanha serão as regiões Sul e Sudeste, onde Jair Bolsonaro (PSL) e Álvaro Dias (Podemos) ameaçam tirar votos do ex-governador de São Paulo. Além disso, Alckmin tem dificuldade de penetração no Nordeste.

Em pesquisa divulgada pela Consult, na última semana, Geraldo Alckmin aparece com apenas 1,3% das intenções na Paraíba, atrás de todos os principais oponentes.

Os Nonatos e o ‘Ponto Final’: os três anos que desgastaram 27

Por Heron Cid – Publicamente, os dois artistas vão dizer o que manda o figurino e tratar a despedida com diplomacia e serenidade. Nos bastidores, o real do fim do casamento é o desgaste de uma longa relação de 27 anos, marcada nos últimos três anos por choque de visões e discordâncias sobre caminhos da carreira.

Nonato Neto e Nonato Costa andavam pensando diferente. Não por acaso, um deles, Nonato Neto, se mudou de João Pessoa para Cajazeiras. O primeiro sinal do distanciamento.

Nonato Costa é totalmente contra a participação da dupla, ou de um dos dois, em cantorias, segmento que projetou ambos para o cenário musical brasileiro pela qualidade incomum no repente e a riqueza dos versos de improviso.

Nonato Neto fez uma cantoria recente em seu sítio em Cajazeiras, onde, ao lado de outro cantador, Raimundo Nonato, arregimentou um grande público. “Foi a gota d’água”, dizem amigos próximos da dupla.

Nonato Costa não aceitou o retorno. A dupla preferiu optar pelo caminho do fim, mas um desfecho que já vinha pouco a pouco se desenhando.

Quase três décadas depois do começo, Os Nonatos chegaram no ‘Ponto Final’. Ironicamente, título de uma de suas mais importantes canções. Mas o que eles produziram para a arte brasileira não morrerá nunca. São geniais. Juntos ou separados.

Marina é a primeira a peitar Bolsonaro

Por Vera MagalhãesCandidatos estavam cheios de dedos sobre como confrontar Jair Bolsonaro. Desde o debate da Band. Escrevi sobre isso na minha coluna do Estadão ainda antes do debate: o cálculo da preparação de marqueteiros para os principais candidatos demonstrava que confrontar Bolsonaro favorecia o candidato do PSL.

Marina ignorou as estratégias de marketing e, olhando nos olhos do deputado, o contrapôs sobre salários menores para mulheres e depois sobre sua política de armar a população. Ele ficou desconcertado e ensaiou uma resposta agressiva a ela, da qual recuou no meio.

Maranhão fez da imprensa um palanque de luxo

A Paraíba é mesmo um estado raso. A partir de uma especulação, sobre uma eventual doença de um dos candidatos ao governo, o senador José Maranhão (MDB) fez da imprensa um palanque de luxo.

O longevo político mobilizou os principais veículos de comunicação para uma coletiva urgente, às 15h.

A suspeita inicial seria de uma desistência da disputa eleitoral.

Nada disso aconteceu.

Maranhão anunciou a criação de um aplicativo que será disponibilizado para download e permitirá comunicação com os eleitores. Além disso, fez campanha e destilou veneno contra os adversários.

Como dito no popular: deitou e rolou.

Sobe para 15 o número de prefeitos afastados na Paraíba

O afastamento do prefeito de Patos, Dinaldinho Wanderley (PSDB), acusado de envolvimento em uma organização criminosa especializada na fraude de licitações e desvio de dinheiro público na operação “Cidade Luz”, foi o décimo quinto caso de natureza parecida na Paraíba desde 2017 – início das novas gestões municipais.

O levantamento foi feito pelo jornalista Suetoni Souto Maior, do Jornal da Paraíba.

Os casos mais emblemáticos aconteceram na região metropolitana de João Pessoa. O prefeito eleito de Bayeux, Berg Lima (até então do Podemos), foi preso em flagrante em maio do ano passado por suposta tentativa de extorquir um fornecedor da prefeitura. O gestor foi substituído no cargo pelo vice, Luiz Antônio (PSDB), afastado pela Câmara Municipal. Recentemente, o prefeito de Cabedelo Leto Viana (PRP), foi acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de ter comandado um esquema de fraudes ao erário público na cidade e atualmente está preso.

Por improbidade administrativa, Dr. Verissinho (MDB), de Pombal; Renato Mendes (DEM), de Alhandra, e Beviláqua Matias (PTdoB), de Juazeirinho, também foram alvos de ações judiciais. Ambos, contudo, voltaram ao poder depois de conseguir liminar em instâncias superiores.

A lista de afastamento também inclui condenados em primeira instância por questões eleitorais: os prefeitos de Pocinhos, Cláudio Chaves (PTB); Teixeira, Carlos Gustavo Guimarães (MDB); Santa Helena, Emanuel Messias (PSD); Joaquim Alves Barbosa (PSDB), Curral de Velho; Barra de São Michel, João Batista (PSB); Bananeiras, Douglas Lucena (PSB), Triunfo, José Mangueira (PTB); e Mamanguape, Maria Eunice (PSB). Todos recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral para tentar reformar a decisão.

Crise atingiu o povo, menos os políticos

A grave crise econômica que assolou o país nos últimos anos, com milhões de desempregados e muitos abaixo da linha da pobreza, atingiu praticamente todos os setores da sociedade, menos a classe política. Basta consultar os registros de bens dos candidatos majoritários da Paraíba no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e atestar: nenhum sofreu forte impacto nas finanças de 2014 a 2018.

A maioria, pelo contrário, acumulou riqueza.

O senador José Maranhão (MDB), candidato ao Governo do Estado, é o mais rico, com R$ 8.037.673,96 de patrimônio. A também candidata ao Governo, Rama Dantas (PSTU), é a mais pobre, com valor declarado de R$ 8 mil.

Abaixo a evolução dos candidatos que disputaram as eleições de 2014 e disputarão 2018.

Governador

José Maranhão (MDB)

2014: R$ 8.830.629,26

2018: R$ 8.037.673,96

João Azevedo (PSB)

2018: R$ 1.058.340,88

Lucélio Cartaxo (PV)

2014: R$ 590.986,52

2018: R$ 746.963,23

Tárcio Teixeira (Psol)

2014: R$ 252.928,00

2018: R$ 299.157,64

Rama Dantas (PSTU)

2014: R$ 8.000,00

2018: R$ 8.000,00

Senador

Cássio Cunha Lima (PSDB)

2014: R$ 874.430,46

2018: R$ 892.798,00

Veneziano Vital (PSB)

2014: R$ 287.955,90

2018: R$ 735,413,02

Daniella Ribeiro (PP)

2014: R$ 125.000,00

2018: R$ 138.407,47

Luiz Couto (PT)

2014: R$ 71.310,09

2018: R$ 68.478,41

Roberto Paulino (MDB)

2014: R$ 1.456.001,00

2015: R$ 1.680.000,00

Nelson Júnior (Psol)

2014: R$ 100.000,00

2018: R$ 97.000,00

Paz e amor entre Maranhão e Azevedo

José Maranhão e João Azevedo evitaram um confronto mais ríspido no debate de ontem da TV Arapuan. O candidato do MDB focou em debochar de Lucélio Cartaxo (PV), enquanto o pessebista chegou a tratar o senador de governador em nome da cordialidade.

Maranhão ensaiou uma alfineta na relação de Azevedo com a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT), mas voltou atrás.

O comportamento do emedebista não chega a surpreender. Em entrevista recente à Arapuan FM, José Maranhão evitou criticar a gestão do PSB nos últimos oito anos.

O deboche venceu o debate

Aos 84 anos, José Maranhão conseguiu roubar a cena de um debate. Se em mais de 60 anos de vida pública o candidato do MDB carrega a sina de péssimo debatedor, ontem bastou ser cômico para chamar para si os holofotes.

Isso diz muito sobre o primeiro embate entre os candidatos ao Governo da Paraíba promovido pela TV Arapuan. Premeditadamente, Maranhão trocou o nome de Lucélio Cartaxo pelo de Luciano Cartaxo, irmão gêmeo do candidato do PV.

Deboche puro.

Culpa de João Azevedo (PSB) e Lucélio Cartaxo (PV).

Em grande parte do tempo, ambos priorizaram em elogiar as gestões de Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo e esqueceram de propor.

Com pouca profundidade sobre os temas, Cartaxo prometeu construir o Hospital de Emergência e Trauma no Sertão do Estado, enquanto Azevedo assegurou criar o primeiro emprego para os alunos que concluírem os cursos técnicos no Estado, além de implantar um VLT em Campina Grande, e um arco metropolitano para diminuir o tráfego de caminhões em João Pessoa.

Coube ao candidato do Psol, Tarcio Teixeira, espetar questões mais delicadas como a remuneração dos profissionais da segurança pública. A alta carga tributária do estado, calo da gestão do PSB, saiu ilesa.

Resumo da ópera: o deboche ganhou o debate.