Delegados acusam governo de “ingerências” na polícia

A Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia na Paraíba (Adepdel) saiu em defesa dos delegados da Polícia Civil remanejados pelo Governo do Estado para outros cargos, entre eles, Lucas Sá, agora ex-titular da Delegacia de Defraudações de João Pessoa e responsável pela Operação Cartola. Em nota, a entidade acusa o secretário de Segurança Pública, Cláudio Lima, de interferir nos trabalhos que são desenvolvidos pelos policiais.

>> Estado destitui delegado da Operação Cartola

“Um dos mais graves problemas da Polícia Civil é a falta de autonomia gerencial e as constantes ingerências do atual Secretário de Segurança, que ocupa um cargo político, nas “escolhas” de nomes que dão “resultados”. Afinal, a Polícia Civil tem um Delegado Geral, que é o chefe da instituição. Talvez o senhor Secretário não saiba, mas na pesquisa feita com os Delegados, mais de 98% estão insatisfeitos com o tratamento dado pela Secretaria de Segurança à Polícia Civil.”, diz um trecho.

A associação questiona a falta de autonomia financeira, administrativa e gerencial. A Adepdel ainda pede que o secretário possa esclarecer as mudanças e destacou o trabalho desenvolvido pelos delegados.

“A título de exemplo, a Delegacia de Defraudações, subordinada a 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, é a que mais produz no Estado e o Delegado Lucas de Sá é o Delegado com maior produtividade na Polícia Civil, tendo seu trabalho reconhecido por todos. A 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, que até ontem tinha à frente o
Delegado Marcos Paulo dos Anjos Vilela, Superintendente por 07 anos (Campina Grande e João Pessoa), é que mais contribui no Estado para a redução de homicídios, durante últimos anos. É preciso que Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança deixe os colegas trabalharem”, afirma em nota a entidade.

Leia a nota na íntegra:

A Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba – ADEPDEL vem a público se manifestar sobre as exonerações, de cargos em comissão, de Delegados de Polícia, publicadas no diário oficial de 31 de Outubro de 2018.

Inicialmente, cabe registrar o agradecimento a todos os colegas que foram exonerados. Sim, agradecer. A ADEPDEL reconhece a dedicação à Polícia Civil, durante o tempo em que ocuparam cargos importantes na gestão. Vocês enaltecem o nome da instituição.

A Polícia Civil evoluiu muito nos últimos anos, com muitas operações de repercussão nacional, redução de homicídios e aumento na elucidação de crimes. Foi também considerada a melhor Polícia Civil do País, segundo pesquisa da revista Exame. E os colegas, exonerados hoje, foram atores importantes desse processo.

A sociedade reconhece o trabalho da Polícia Civil, de João Pessoa à Cajazeiras.

Infelizmente, a Polícia Civil não tem autonomia financeira, administrativa e gerencial. Além disso, não evoluiu no tratamento humanitário ao policial. Rapidamente, esquecem a quantidade de serviços prestados.

A Polícia Judiciária Estadual fica à mercê de Secretários, que se utilizam dos belíssimos trabalhos da instituição para enaltecer planejamentos, ditos “autorais”. Na verdade, alguns dos colaboradores foram exonerados hoje.

O tratamento de subserviência que vem sendo dado e pregado pelo atual Secretário de Segurança é histórico, ou melhor, ficará para o rol das piores histórias da Polícia Civil.

A Polícia Civil sangra com esse modelo de gestão do Secretário Claudio Lima, que procura dividir e descartar o ser humano como papéis recicláveis, sem justificativas plausíveis ou até mesmo com fundamentos.

A ADEPDEL vem tentando construir uma Polícia Civil mais independente, no sentido de poder assinar um ofício, até mesmo comprar uma lâmpada ou cadeira, sem ter que pedir autorização ao Secretário da pasta.

Por sinal, os policiais civis estão cada vez mais desacreditados em ter uma Polícia Civil mais autônoma, assim como ocorre com a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, pois se tirarmos o comando gerencial da Polícia Civil do Secretário de Segurança, esta secretaria não teria sentido de existir.

Os Delegados de Polícia Civil do Estado trabalham para a sociedade, não têm apego a cargos, não estão de passagem e sempre seguirão o caminho do bem, em busca de uma Polícia Judiciária cidadã, que possa priorizar o que a sociedade realmente quer.

Cargos em comissão são passageiros, são de livre nomeação e de exoneração. Já o histórico de dedicação de cada policial dentro da Polícia Civil ninguém apaga.

A ADEPDEL sempre defenderá os bons pleitos e muitas vezes apoiou a Secretaria de Segurança e o Governo contra politizações, com sugestões e ideias, muitas das quais implementadas pela força do argumento, sempre no intuito de ajudar a instituição, sem qualquer tipo de vaidade, priorizando um relacionamento institucional e isento. E assim continuaremos.

Fizemos um Plano de Segurança Pública, voltado para Reestruturação da Polícia Civil, com a melhor das intenções, ouvindo quem faz a segurança na ponta e, sobretudo, a sociedade. Atendemos mais 200 mil cidadãos paraibanos todos os anos. Sabemos o que a sociedade almeja. Apontamos os avanços dos últimos anos e o que precisa ser aperfeiçoado e melhorado.

Não copiamos plano de ninguém.

Reconhecemos as boas práticas.

Mas, exigimos respeito, pois construímos algo para o povo paraibano e que foi menosprezado, desde o início de sua construção, pelo atual Secretário de Segurança.

Ninguém é dono da verdade. Nenhum plano é infalível, de forma a não precisar ser aperfeiçoado. É preciso ter humildade para reconhecer isso.

Um dos mais graves problemas da Polícia Civil é a falta de autonomia gerencial e as constantes ingerências do atual Secretário de Segurança, que ocupa um cargo político, nas “escolhas” de nomes que dão “resultados”. Afinal, a Polícia Civil tem um Delegado Geral, que é o chefe da instituição.

Talvez o senhor Secretário não saiba, mas na pesquisa feita com os Delegados, mais de 98% estão insatisfeitos com o tratamento dado pela Secretaria de Segurança à Polícia Civil.

Continuaremos trabalhando, apesar de não apoiarmos a gestão do atual Secretário.

Defenderemos a busca pela redução dos homicídios.

Orientaremos os Delegados a priorizarem as demandas do cidadão comum, que escolheu o combate crime patrimonial como demanda essencial.

Nosso compromisso é a proteção da sociedade e o combate ao crime.

Sobre os motivos das exonerações, cabe ao Secretário de Segurança justificar ao povo paraibano. A título de exemplo, a Delegacia de Defraudações, subordinada a 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, é a que mais produz no Estado e o Delegado Lucas de Sá é o Delegado com maior produtividade na Polícia Civil, tendo seu trabalho reconhecido por todos. A 1ª Superintendência Regional de Polícia Civil, que até ontem tinha à frente o Delegado Marcos Paulo dos Anjos Vilela, Superintendente por 07 anos (Campina Grande e João Pessoa), é que mais contribui no Estado para a redução de homicídios, durante últimos anos.

Por fim, é preciso que Excelentíssimo Senhor Secretário de Segurança deixe os colegas trabalharem, busque melhorias para a instituição, como concurso público e armamentos, ajude aos 808 policiais civis que precisam se aposentar sem perdas e tenha a humildade para aceitar que existem outros atores e ideias, que visam à melhoria da Segurança do Estado.

Afastamento de Sá é para obter melhores resultados, diz secretário

O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Cláudio Lima, justificou as mudanças de cargos no comando da Polícia Civil a uma estratégia de obter melhores “resultados”. Entre as alterações processadas pelo Governo do Estado está a do agora ex-titular da delegacia de Defraudações de João Pessoa, Lucas Sá, responsável pela Operação Cartola. Sá foi rebaixado para delegado Adjunto de Delegacia Especializada.

Estado destitui delegado da Operação Cartola

O governador Ricardo Coutinho (PSB) fez alterações em cargos de comando da Polícia Civil na Paraíba.

>> Operação Cartola chega à política

A principal delas mexe com o delegado responsável pelas investigações da Operação Cartola: Lucas Sá. Titular da delegacia de Defraudações de João Pessoa, Sá foi rebaixado para delegado Adjunto de Delegacia Especializada.

Coincidência ou não, no último domingo (28), a TV Globo exibiu mais uma reportagem sobre a manipulação de resultados no futebol da Paraíba. Em uma das transcrições de ligações interceptadas pela polícia que a emissora teve acesso, o nome do governador é citado pelo então vice-presidente de futebol do Botafogo da Paraíba, Breno Morais, em uma conversa com o então presidente do clube Zezinho. 

Segundo Morais, Ricardo Coutinho teria dito: “Breno, o certo era você ter comprado o juiz de um jogo desse aí“, que respondeu: “Eu sei, mas não tive jeito de chegar.” O diálogo teria acontecido após a derrota do Botafogo para o Atlético Mineiro na Copa do Brasil. 

Breno Morais e Zezinho Botafogo estão afastados de seus respectivos cargos pela Justiça e responderão por crimes relacionados à corrupção.

A distinção que a urna não faz

Duas horas depois do fim da votação nesse domingo (28) o Brasil conhecia o novo presidente da República: Jair Bolsonaro (PSL). O capitão da reserva, que levantara suspeita sobre o eficiente sistema de votação do país, teria queimado a língua se o objetivo não fosse o de apenas tumultuar a já tumultuada eleição. 

Vitorioso na disputa contra Fernando Haddad (PT), Bolsonaro contabilizou 57,7 milhões de votos. A diferença entre os dois candidatos foi superior a 10,7 milhões de votos. As urnas que deram vitória a Bolsonaro só não ainda distinguem quantos votos de fato são do agora presidente eleito. Quantos milhões de brasileiros teriam votado pelo projeto de governo que ele tem a oferecer ao Brasil ou por uma reação de autodefesa contra os desmandos administrativos do PT. 

Do lado oposto, a reprodução de um mesmo sentimento contra o discurso intolerante do novo chefe do Palácio do Planalto. Bolsonaro não debateu, destilou ódio no discurso e quando (pouco) falou se limitou a dizer que vai “bater forte” na questão da segurança pública. 

É representativo que a maioria de seus eleitores tenha celebrado muito mais o fim da era petista, com gritos de “Fora PT”, do que a vitória do militar, com o marcante “Mito”. 

Armado

O primeiro discurso de Jair Bolsonaro como presidente eleito não fugiu do Bolsonaro candidato. Em mais uma live no facebook, atacou a imprensa e adversários. “Grande parte da grande mídia o tempo todo criticando, colocando-me em uma situação muitas vezes próximo a uma situação vexatória sobre aquilo que falavam a meu respeito”, disse.

“Não poderíamos mais continuar flertando com o socialismo, com o comunismo e com o populismo”, continuou. 

Tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Ricardo diz que irá processar TV Globo

Em nota divulgada neste domingo (28), o governador Ricardo Coutinho (PSB) comunicou que irá processar a TV Globo pela exibição da matéria no programa Esporte Espetacular sobre a Operação Cartola. A reportagem mostrou a transcrição de um diálogo entre Zezinho Botafogo, então presidente do Botafogo-PB, e Breno Morais, ex-vice de futebol do clube, que cita o chefe do Poder Executivo estadual por suposta insatisfação com o não pagamento de propina para o árbitro na derrota do time paraibano por 4 a 0 para o Atlético-MG na Copa do Brasil 2018.

>> Operação Cartola chega à política

Leia a nota do governador:

O governador Ricardo Coutinho repudia completamente o uso irresponsável de seu nome em matéria veiculada neste domingo (28) pelo Esporte Espetacular, da TV Globo, e anuncia que tomará providências jurídicas contra ilações retratadas, num claro e irresponsável esforço de envolvê-lo sem elemento comprobatório algum. O governador e o Governo do Estado não figuram sequer como parte nas investigações desse processo.

O governador reitera a completa inexistência de qualquer relação com quaisquer dos fatos relacionados à investigação da Operação Cartola e estará pronto para confrontar eventuais abusos em quaisquer instâncias.’

Operação Cartola chega à política

Nova reportagem da TV Globo sobre a Operação Cartola voltou a exalar o odor pútrido do futebol paraibano. Seis meses depois das investigações da Polícia Civil e Ministério Público da Paraíba contra um poderoso esquema de manipulação de resultados no Campeonato Paraibano, o programa Esporte Espetacular trouxe ao ar, neste domingo (28), que dirigentes do Botafogo da Paraíba teriam tentado exercer influência sobre o governador Ricardo Coutinho (PSB). Assista a reportagem completa aqui.

Uma das transcrições do processo que a Globo teve acesso mostra um diálogo entre Zezinho Botafogo, então presidente do clube, e Breno Morais, ex-vice de futebol, sobre a derrota da agremiação paraibana para o Atlético-MG por 4 a 0, válida pela Copa do Brasil. Breno teria assistido ao jogo ao lado de Coutinho, que insatisfeito com o revés, teria lamentado o não pagamento de propina ao árbitro do jogo para beneficiar o Botafogo. Segundo o dirigente, o governador teria dito: “Breno, o certo era você ter comprado o juiz de um jogo desse aí“, que respondeu: “Eu sei, mas não tive jeito de chegar.”

A matéria também revelou um relatório da Polícia Civil em que Amadeu Rodrigues, então presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), pagava propina a jornalistas para evitar a produção de notícias sobre os atos de corrupção que teriam sido cometidos na entidade. A reportagem ainda conta que diversas partes envolvidas no processo sofreram pressão política para atenuar o ímpeto da Operação Cartola.

PT reage a ‘não’ de Ciro a Haddad

A posição do pedetista Ciro Gomes de não se manifestar a favor de Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, irritou o presidente do PT da Paraíba, Jackson Macedo. 

>> Ciro joga última pá de cal em Haddad

“A história julgará Ciro e quem fica em cima do muro na luta da democracia contra o fascismo”, reagiu. 

Ciro joga última pá de cal em Haddad

A bala de prata que o PT aguardava não veio. Terceiro colocado na eleição presidencial, Ciro Gomes (PDT) decidiu não se manifestar sobre a disputa de segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

>> PT reage a ‘não’ de Ciro a Haddad

Sabotado pela turma de Lula, que o tirou apoios importantes, como o PSB, Ciro disse que, “por uma razão muito prática, que eu não quero dizer agora” não irá tomar partido. “Se eu não posso ajudar, atrapalhar é o que eu não quero”, acrescentou em vídeo divulgado neste sábado (27).

“Eu quero que Deus, como disse lá no primeiro dia, abençoe essa grande nação para que todo mundo possa caminhar amanhã para votar, votar compreendendo a necessidade de votar com a democracia, votar contra a intolerância, votar pelo pluralismo”, continuou o pedetista.

Ontem (26), em João Pessoa, Haddad ainda alimentava o otimismo de contar com o apoio explícito de Ciro Gomes. Projetou ganhar de três a quatro pontos com um aceno público do ex-governador do Ceará. Logo após o primeiro turno, Ciro viajou para Europa, retornando ontem à Fortaleza.

Com a decisão de não atender aos apelos petistas, Ciro Gomes se projeta para ser a principal oposição ao iminente governo de Bolsonaro. Ele afirmou que estará “na linha de frente” e que “ninguém está obrigado a votar contra convicções e ideologias”. “Não é se queixando e lamentando que vamos resolver isso”, disse. O pedetista quer voltar a disputar a eleição presidencial em 2022.

A “frente democrática” que o PT tanto esperava formar para o segundo turno – a mesma que sabotou lá atrás – foi enterrada a 24 horas do resultado final.

Abre Aspas

“Votar é fazer uma escolha racional. Eu, por exemplo, sopesei os aspectos positivos e os negativos dos dois candidatos que restam na disputa. Pela primeira vez em 32 anos de exercício do direito de voto, um candidato [Jair Bolsonaro, do PSL] me inspira medo. Por isso, votarei em Fernando Haddad”, argumentou o ex-ministro e relator do mensalão do PT no STF, Joaquim Barbosa, ao declarar que vota no petista Fernando Haddad para presidente.

AIJE de Bolsonaro contra Ricardo respinga na OAB

A expectativa para unificação das chapas da oposição na eleição da OAB-PB não vingou. Carlos Fábio Ismael e Sheyner Ásfora esbarraram na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida pela campanha do candidato a presidente da República Jair Bolsonaro (PSL) contra o governador Ricardo Coutinho (PSB) por suposto uso da máquina pública a favor de Fernando Haddad (PT).

>> TSE investigará apoio de Ricardo a Haddad

Isso porque uma das assinaturas que consta na denúncia a ser investigada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de Carlisson Figueiredo, integrante da chapa de Carlos Fábio. Para Sheyner Ásfora, que atua na defesa privada do governador Ricardo Coutinho, um desconfortável detalhe para ser superado. A informação foi dada pelo jornalista Heron Cid. 

A sucessão da OAB acontece no dia 28 de novembro e o atual presidente Paulo Maia é o favorito na disputa.