Bolsonaro recua e diz que não irá retaliar Paraíba

A dois dias da eleição presidencial, Jair Bolsonaro (PSL) recuou sobre a retaliação que prometeu a governadores que não o apoia.

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“Zero essa possibilidade. Não é porque um governador tem preconceito comigo, ou é de outro partido, que vou prejudicar toda a sua população. Não é apenas a Paraíba, a Bahia tem um governador do PT, Maranhão tem um governador do PCdoB. Não podemos penar nosso irmãos nordestinos por causa disso. Tratamento igual para todo mundo”, disse em entrevista exclusiva ao Arapuan Verdade, da Rede Arapuan de Rádio.

No inicio do mês, em entrevista ao jornalista Boris Casoy, da RedeTV!, Bolsonaro prometeu um “tratamento secundário” para gestores que apoiam a candidatura de Fernando Haddad (PT), a exemplo do governador eleito João Azevêdo (PSB).

Ouça aqui a entrevista completa de Bolsonaro para o programa Arapuan Verdade.

TSE investigará apoio de Ricardo a Haddad

O ministro Jorge Mussi, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu prosseguimento a ação que a coligação do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) pede para que se investigue o apoio do governador Ricardo Coutinho (PSB) ao petista Fernando Haddad. Bolsonaro acusa o Governo da Paraíba de usar a máquina pública a favor do ex-ministro.

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Segundo a coligação de Bolsonaro, o reitor e o vice-reitor da Universidade Estadual da Paraíba teriam usado a estrutura da universidade para “fomentar” a candidatura de Haddad. A ação também diz que diretores de escolas e professores “estão sendo obrigados a tentar reverter votos favoráveis” a Bolsonaro.

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Jorge Mussi determinou que as defesas sejam ouvidas. Após a resposta, analisará a necessidade de novas provas. A ação terá de ser julgada pelo TSE, em data ainda não prevista.

Jair Bolsonaro pede a inelegibilidade de Fernando Haddad e da vice Manuela D’Ávila (PCdoB).

Com G1

Espiões nas universidades

A Justiça Eleitoral da Paraíba retomou nesta sexta-feira (26) os Centros de Comando de Controle para as eleições neste domingo (28), com uma preocupação: as ações de policiais e fiscais eleitorais nas universidades federais.

Para tanto, policiais solicitaram ao Tribunal Regional da Paraíba (TRE-PB) que sejam enviados ‘espiões’ para averiguar supostas irregularidades antes de qualquer medida extrema de busca e apreensão.

Ontem (25), a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), foi alvo de um mandado de busca e apreensão de panfleto denominado “Manifesto em defesa da democracia e da universidade pública”, bem como de materiais de campanha do candidato do PT a presidente, Fernando Haddad. A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG) argumentou que o material apreendido não faz menção a nenhum candidato.

Hoje, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse que certa “ebulição” em ambientes universitários é inerente “ao processo democrático” e pediu “cautela”.

Paraíba dormirá tranquila após domingo de fogo

Os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) acenaram para a Paraíba na reta final de campanha. Nesta sexta-feira (26), o petista percorreu as principais avenidas do centro de João Pessoa, enquanto o capitão do exército concedeu uma entrevista exclusiva à rádio Arapuan em cadeia estadual. Agrados e promessas para o Estado não faltaram de ambos os lados.

Não seria exagero dizer que são da Paraíba os maiores entusiastas das candidaturas de Haddad e Bolsonaro no segundo turno: o governador Ricardo Coutinho, forte aliado do petista; e Julian Lemos, deputado federal eleito e vice-presidente nacional do partido de Bolsonaro.

Em entrevista coletiva para imprensa paraibana, Haddad elogiou a atuação de Coutinho e disse entre outras palavras que o pessebista assumirá algum ministério em seu eventual governo. “Ricardo tem competência até para presidente. É uma pessoa que tem folha de serviços prestados e de firmeza em posicionamentos que o qualifica para assumir qualquer pasta de um governo federal”, afagou.

Haddad bateu forte em Bolsonaro. Para militância voltou a chamar o candidato do PSL de “soldadinho de araque” em resposta a não participação do deputado em debates. “É muito comum na história que um covarde estimule a violência social. Em geral, são pequenos homens, com problemas psicológicos. É por isso que os pequenos homens com problemas psicológicos podem ser respeitados, mas não chega”, disse.

Para o Arapuan Verdade, da Rede Arapuan de Rádio, Jair Bolsonaro sinalizou que atenderá, caso eleito, um dos pleitos do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), para instalação de multinacionais no complexo Aluízio Campos. Bolsonaro agradeceu aos paraibanos pela eleição de Julian Lemos, a quem atribuirá a missão de  desenvolver projetos como o Porto de Águas Profundas e a Transnordestina.

“Ele vai apresentar os projetos de interesse da Paraíba e do nordeste e vamos analisar. Se tiver dinheiro, vamos executar sem problemas”, enfatizou. “Vou deixá-lo [Julian Lemos] na Câmara Federal em um lugar de destaque. Quero ele brigando na Câmara. O partido [PSL] elegeu a segunda maior bancada e terá papel de destaque”, acrescentou.

Bolsonaro também disse que não debaterá “com um fantoche e pau mandado do Lula” em revide ao que disse Haddad na coletiva. “Sabemos que o Haddad não é candidato absolutamente em nada. Quem manda é o Lula que está preso”.

Em um esforço nada simples, que é o de acreditar na boa fé de candidatos, o paraibano acredita (ou faz de conta) que dormirá tranquilo após o resultado das urnas, no próximo domingo (28), seja qual for o eleito.

Datafolha: diferença de Bolsonaro para Haddad cai 6 pontos

A distância entre os candidatos a presidente Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) caiu de 18 para 12 pontos em uma semana, aponta pesquisa do Datafolha.

A três dias do segundo turno, o deputado tem 56% dos votos válidos, contra 44% do ex-prefeito de São Paulo. No levantamento passado, apurado em 17 e 18 de outubro, a diferença era de 59% a 41%.

Tanto a queda de Bolsonaro quanto a subida de Haddad se deram acima da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O Datafolha entrevistou 9.173 eleitores em 341 cidades no levantamento, encomendado pela Folha e pela TV Globo e realizado na quarta (24) e na quinta (25).

O resultado é a mais expressiva mudança na curva das intenções de voto no segundo turno até aqui, e reflete um período de exposição negativa para o deputado do PSL.

No período, emergiu o caso do WhatsApp, revelado em reportagem da Folha que mostrou como empresários compraram pacotes de impulsionamento de mensagens contra o PT pelo aplicativo. A Justiça Eleitoral e a Polícia Federal abriram investigações.

No domingo (21), viralizou o vídeo da palestra de um de seus filhos, o deputado reeleito Eduardo (PSL-SP), em que ele sugere que basta “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo Tribunal Federal em caso de contestação de uma vitória de seu pai.

A fala foi amplamente condenada, obrigando Bolsonaro a se desculpar com a corte. No mesmo dia, o candidato fez um discurso via internet para apoiadores em São Paulo cheio de elementos polêmicos: sugeriu, por exemplo, que os “vermelhos” poderiam ser presos ou exilados, e disse que Haddad deveria ir para a cadeia.

Em votos totais, Bolsonaro tem 48%, ante 38% de Haddad e 6% de indecisos. Há 8% de eleitores que declaram que irão votar branco ou nulo. Desses, 22% afirmam que podem mudar de ideia até o dia da eleição.

O deputado perdeu apoio em todas as regiões do país, embora mantenha sua liderança uniforme, exceto no Nordeste, onde Haddad tem 56% dos votos totais e Bolsonaro, 30%.

A maior subida de Haddad ocorreu na região Norte, onde ganhou sete pontos, seguido da Sul, onde ganhou 4. Já Bolsonaro mantém uma sólida vantagem na área mais populosa do país, o Sudeste: 53% a 31% do petista. O Centro-Oeste e o Sul seguem como sua maior fortaleza eleitoral, com quase 60% dos votos totais nas regiões.

Entre os mais jovens (16 a 24 anos), Haddad viu sua intenção de voto subir de 39% para 45%, empatando tecnicamente com Bolsonaro, que caiu de 48% para 42%.

O segmento em que o petista mais subiu foi entre os mais ricos, aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos. Ali, cresceu oito pontos, mas segue perdendo de forma elástica para Bolsonaro: 61% a 32% dos votos totais. Lidera na outra ponta do estrato, entre os mais pobres (até 2 salários mínimos), com 47% contra 37% do deputado.

Entre o eleitorado masculino, Bolsonaro mantém ampla vantagem sobre Haddad, embora tenha caído três pontos -mesma medida da subida do petista. Tem 55% a 35%, distância que é reduzida a um empate técnico por 42% a 41% entre as mulheres.

A rejeição a ambos os candidatos, uma marca desta eleição, permanece alta. Haddad viu a sua oscilar negativamente de 54% para 52%, enquanto Bolsonaro teve a sua subindo três pontos, para 44%. A certeza do voto dos eleitores declarados de ambos é alta: 94% dos bolsonaristas e 91% dos pró-Haddad se dizem convictos.

Folha de S. Paulo 

PF apreende materiais de campanha de Haddad na UFCG

A Polícia Federal (PF) bateu na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) nesta quinta-feira (25) e apreendeu materiais de campanha do candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) e contra Jair Bolsonaro (PSL). Computadores também foram recolhidos. O mandado de busca e apreensão foi expedido pelo juiz da propaganda de rua em Campina Grande, Horácio de Melo.

“Recebemos ontem à noite uma representação da PF da cidade por meio de denúncias de que a universidade estaria servindo de palanque político, onde eram feitas panfletagens e campanha e se repetindo por vários dias. Assim, eu fiz um pedido de busca e apreensão de todo e qualquer material usado com essa finalidade”, disse o juiz ao Arapuan Verdade, da Arapuan FM.

A PF abriu um inquérito para apurar um crime de agressão na UFCG que também teria motivação política.

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Campina Grande (ADUFCG) argumentou que o material apreendido não faz menção a nenhum candidato, tratando-se de um ‘Manifesto em defesa da democracia’.

Lula lembra que o PT é igual a Bolsonaro

Da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o ex-presidente Lula não ouviu os conselhos do rapper Mano Brown. De fato, não poderia ouvir. Não pela condição de presidiário, mas pela arrogância petista que não o permite. O músico foi destaque da noite carioca na última terça-feira (23) com seu discurso em tom de crítica ao PT em pleno um ato político. 

Não com as mesmas palavras de Cid Gomes, protagonista de verdades faladas sobre o PT na última semana, Mano Brown cobrou da seita lulista humildade – conselho difícil de ser recebido pelos devotos – para se comunicar com o povo. Brown jogou na cara de Haddad e cia que o partido já não fala mais a língua dos brasileiros e por isso “vai perder mesmo”. 

Em um momento de grande lucidez, Mano Brown tocou na ferida: “Se falhou, vai pagar. Quem errou vai ter de pagar mesmo, certo?”, para vaias do público e um grito da multidão: “o que você está fazendo aqui?”. 

Lula e PT deram de ombros para Mano Brown. O partido que é símbolo dos maiores escândalos de corrupção do país não aprende. Em carta divulgada nesta quarta-feira (24), Lula voltou a atacar imprensa e Judiciário. Na semana que Jair Bolsonaro (PSL) ameaçou desaparecer com quem pensa diferente dele e de impor condições para ser entrevistado por uma rádio gaúcha, o político corrupto fez lembrar que o autoritarismo não é uma marca somente do candidato do PSL. Também faz parte da identidade petista. 

O cinismo de Lula não tem limites. Na carta digitada, ele ainda diz que o PT é odiado pelo que fez de bom para o Brasil. Faz de conta que os mais de 10 milhões de desempregados deixados por Dilma Rousseff foi mais uma das tantas fake news espalhadas no território nacional.

A fake news tão combatida pelo PT nesta eleição virou tiro no próprio pé – não que ninguém duvidasse. O próprio Fernando Haddad se encarregou de reproduzir a acusação leviana do cantor Geraldo Azevedo contra Hamilton Mourão sobre ter sido torturado pelo vice de Bolsonaro no regime militar. Mourão tinha 16 anos. Fake news.

Abre Aspas

“Vou, contra a minha vontade, contra o que eu pensava, contra os princípios e contra esses anos de luta contra o PT, acabar votando em Haddad. E, ao final da votação pedir desculpas a Deus, que ele me perdoe”, disse o ex-governador de São Paulo e ex-presidente do PSDB, Alberto Goldman ao declarar que vota no candidato do PT Fernando Haddad para presidente.

Que faça como senador o que não fez como deputado, diz Romero sobre Veneziano

Entre tantas divergências, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSDB), e o deputado federal e senador eleito, Veneziano Vital (PSB), convergem em um ponto: não perdem a oportunidade de se alfinetarem. 

Se o pessebista tratou a eleição para o Senado como resposta ao revés da eleição municipal de 2016, o tucano cobrou ao parlamentar que “faça como senador o que não faz como deputado”. 

“Todos [parlamentaras] tem direito a destinação de recursos, mas ele nunca colocou para cidade. Lamento profundamente”, criticou Romero em entrevista ao jornalista Heron Cid ao Portal MaisPB.

“Cheguei a ir a bancada [paraibana na Câmara] para pedir [recursos] nominalmente e ele estava presente. Todo ano faço esse pedido para deputados e senadores. Mas não posso impor. Se tiver grandeza em relação a cidade faz. Aliás, para a cidade que a gente mora não precisa nem pedir. É obrigação, por ter sido prefeito, vereador e exercer mandatos que dependeram da confiança da cidade”, continuou o tucano. 

Romero cobrou da oposição “humildade” para admitir os erros que levaram a acachapante derrota na eleição.

“Se a oposição tivesse saído unida, não teria sido esse desastre”, lamentou, em referência às candidaturas de José Maranhão (MDB) e Lucélio Cartaxo (PV). “A oposição precisa se reunificar em torno de um projeto ou de uma postura política”. 

Haddad na Paraíba

O candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, irá cumprir agenda de campanha em João Pessoa, na próxima sexta-feira (26), antevéspera da eleição presidencial. O petista fará uma caminhada no centro da cidade, às 10 horas.

Na pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira (23), Haddad aparece com 43% das intenções de voto, contra 57% de Jair Bolsonaro (PSL). Em relação à sondagem do dia 15, Bolsonaro oscilou dois pontos porcentuais para baixo (tinha 59%), enquanto Haddad oscilou dois para cima (tinha 41%).