Efeito Cartola

Preocupada com o banimento imposto pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) a nove árbitros por envolvimento em um esquema de manipulação de resultados, a presidente da Federação Paraibana de Futebol, Michele Ramalho, irá importar apitadores de outros estados para realizar o Campeonato Paraibano de 2019. É o efeito Cartola! 

Operação Cartola: 14 pessoas são banidas do futebol

Além de Breno Morais, homem forte do Botafogo da Paraíba, o Superior Tribunal de Justiça (STJD) também baniu do futebol o presidente afastado do Campinense, William Simões; o ex-presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB), Lionaldo dos Santos; o ex-procurador do órgão, Marinaldo Barros; e o ex-presidente da Comissão Estadual de Arbitragem de Futebol da Paraíba (Ceaf-PB), José Renato Soares.

Nove árbitros também foram condenados com afastamento definitivo, informa o Globo Esporte: Adeilson Carmos Sales (árbitro da FPF), Antônio Carlos Rocha (árbitro da FPF), Antônio Umbelino (árbitro da FPF), Éder Caxias (árbitro da CBF), Francisco Santiago (árbitro da FPF), João Bosco Sátiro (árbitro da CBF), José Maria de Lucena Netto, (auxiliar da CBF), Tarcísio José (auxiliar da FPF) e Josiel Ferreira (auxiliar da FPF).

Os ex-presidentes do Botafogo, Zezinho Botafogo e Guilherme Novinho, além de Francisco Sales, filho de Novinho e ex-diretor do clube, foram suspensos por 540 dias, mais uma aplicação da multa de R$ 30 mil.

Todos são alvos da Operação Cartola, responsável por revelar um esquema de manipulação de resultados no futebol paraibano.

O ex-presidente da Federação Paraibana de Futebol, Amadeu Rodrigues, será julgado no fim do mês.

STJD bane do futebol ‘homem forte’ do Botafogo-PB

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) baniu do futebol o ex-vice-presidente de futebol do Botafogo da Paraíba, Breno Morais. O agora ex-dirigente é um dos principais alvos da Operação Cartola, que revelou um poderoso esquema de corrupção e manipulação de resultados na Paraíba. 

Além de ser banido, Morais terá que pagar uma multa de R$ 90 mil.

Os ex-presidentes do Botafogo, Zezinho Botafogo e Guilherme Novinho, além de Francisco Sales, filho de Novinho e ex-diretor do clube, foram suspensos por 540 dias, mais uma aplicação da multa de R$ 30 mil.

Outros dirigentes envolvidos no maior escândalo do futebol paraibano seguem sendo julgados no STJD.

Ricardo provocará ALPB contra o “Escola Sem Partido”

O governador Ricardo Coutinho (PSB) encaminhará para Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) um projeto de lei que contrapõe ao “Escola sem Partido”, que tramita na Câmara Federal e é defendido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

“É preciso proteger e disciplinarmos a necessária preservação do debate de ideais e  combate ao preconceito nas escolas públicas e privadas. Ninguém pode saciar o debate de ideias, porque caso contrário você mata a educação”, argumentou Ricardo nesta quarta-feira (14). 

Nesta semana, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), editou um decreto para assegurar, no ambiente das escolas da rede estadual, a liberdade de expressão e opinião a professores, estudantes e funcionários.

Sobre o projeto “Escola Sem Partido”, a última sessão na Câmara foi adiada por clima tenso entre manifestantes e deputados. O tema não tem previsão de voltar à pauta.

“Fica um debate de Escola sem Partido, o que é Escola Sem Partido? Então, no Brasil, a igreja pode ter partido, segmentos institucionais podem ter partido, e as escolas não podem debater ideias?”, criticou Coutinho. 

Ministro de Bolsonaro terá que se desculpar outra vez

O futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), recebeu via caixa dois uma segunda doação eleitoral, por ele não admitida até agora. É o que aponta uma planilha entregue por delatores da JBS à Procuradoria-Geral da República. A informação foi dada pela Folha de S.Paulo.

O documento entregue por delatores menciona repasse de R$ 100 mil na campanha de 2012, quando futuro ministro já comandava o DEM-RS. 

No ano passado, o parlamentar confessou ter obtido da empresa, para a campanha de 2014, R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral.

O juiz Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça, minimizou o crime do companheiro de governo.

“Quanto a esse episódio no passado, ele mesmo admitiu seus erros e pediu desculpas e tomou providências para repará-lo”, disse em entrevista na semana passada.

Lorenzoni assim terá que se desculpar mais uma vez. Menos mal (para ele).

Cartolão 2019 tem data para começar

O próximo Campeonato Paraibano de Futebol terá início no dia 12 de janeiro. 

A definição da data e regulamento do torneio aconteceu nesta terça-feira (13) em reunião entre a Federação Paraibana de Futebol e clubes da primeira divisão. A presidente da entidade, Michele Ramalho, e o diretor de competições da Confederação Brasileira de Futebol, Manoel Flores, comandaram o encontro.

Serão duas chaves de cinco clubes, com os dois melhores de cada grupo avançando de fase.

Será o primeiro Campeonato Paraibano depois da avassaladora Operação Cartola, responsável por revelar um poderoso esquema de manipulação de resultados no futebol do estado. 

Quem ainda levará a sério? 

Doria: Cássio não fará parte do governo de SP

Ao Blog, o governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), fez elogios ao senador não reeleito Cássio Cunha Lima (PSDB), com quem pretende ‘refundar o PSDB’, a partir do comando, atualmente do ex-governador Geraldo Alckmin. Doria, porém, descartou a cogitação de o paraibano ocupar algum cargo no Palácio dos Bandeirantes. 

“Ele [Cássio] é muito meu amigo, é um grande articulador. Ele não vai ter nenhuma função oficial no governo de São Paulo, apenas continuará sendo uma figura importante e muito próximo de nós no campo do PSDB”, destacou. 

Derrotado na última eleição, Cássio está de mudança da Paraíba para Brasília em 2019. Cunha Lima exercerá a profissão de advogado, a qual é formado. 

Durante a campanha, Cássio criticou o então presidenciável Geraldo Alckmin por atacar incisivamente o candidato do PSL Jair Bolsonaro. A crítica rendeu um puxão de orelha do secretário-geral do PSDB, Marcus Pestana. 

Com a vitória de Doria ao governo de São Paulo e o fracasso de Alckmin na disputa presidencial, a tendência é que haja uma troca de comando no PSDB, além de um alinhamento com o governo Bolsonaro.

“Assim como eu, ele [Cássio] defende mudanças, transformações e sintonia no PSDB com a nova realidade do país”, expressou Doria. 

O tiro do pai no discurso do filho

Com a bala em alta no Congresso, o senador não reeleito na última eleição, Cássio Cunha Lima (PSDB), deu um tiro no discurso do filho, o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB). O tucano foi um dos 46 senadores que votaram a favor do aumento de 16% nos salários dos ministros do STF em meio a grave crise econômica do país. 

Pedro Cunha Lima é um crítico aberto das mordomias e excessos de gastos dos Poderes. É autor, por exemplo, do projeto que restringe o uso de carros oficiais as autoridades de Brasília. O promissor Cunha Lima ainda vai constantemente a tribuna da Câmara para criticar os altos salários de ministros, a quem responsabiliza por provocar um impacto milionário no orçamento da União.

Pois bem. Os apelos de Pedro não foram ouvidos na própria casa. O voto do pai do deputado ajudará a causar um efeito cascata que custará aos cofres públicos 5,3 bilhões de reais por ano, segundo estudo do Senado. Os ministros, que ganham 33,7 mil reais, passarão a ganhar 39,2 mil. Os salários dos ministros do Supremo são regidos pelo teto constitucional. Eles são os servidores públicos mais bem pagos do país. Sempre que há uma elevação dos rendimentos, que precisa ser aprovada pelo Legislativo, todo o funcionalismo público recebe o benefício.

Além de Cássio, o senador Raimundo Lira (PSD), que também não terá seu mandato renovado a partir do próximo ano, também jogou a bomba para o povo se virar. José Maranhão (MDB) se absteve. 

O que dirá Pedro sobre o ‘voto do contra’ do pai? 

Abre Aspas

“É aquela história, ele desistiu de ser vice do Bolsonaro para dizer que ia ganhar a eleição para senador no Espírito Santo. Agora ele é um elefante que está colocado no meio da sala e tem que arrumar, né? É um camelo, e tem que arrumar um deserto para esse camelo”, disse o vice-presidente eleito general Hamilton Mourão (PRTB) sobre a cotação do senador Magno Malta (PR) para o ministério de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

Moro desmoraliza a moralidade

Rosto da Operação Lava-Jato, o juiz Sergio Moro aceitou o convite para integrar a equipe de ministros do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), contrariando a si mesmo, que enfaticamente disse em 2016 que, “jamais” entraria na política. Moro será o superministro da Justiça e Segurança Pública.

“Não, jamais. Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política”, disse ao jornal “O Estado de S. Paulo” ao ser perguntado se sairia candidato a um cargo eletivo ou se entraria para a política. 

Ao jornal Valor, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB), revelou que o convite a Moro foi feito durante a campanha eleitoral pelo economista Paulo Guedes. No mesmo período, a menos de uma semana do primeiro turno, o juiz quebrou o sigilo da delação do ex-ministro Antonio Palocci que cita os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. Uma decisão, no mínimo, suspeita.

Com o ‘sim’ a Bolsonaro, Moro se livrará de procedimentos disciplinares no Conselho Nacional de Justiça que questionam sua atuação no comando da Lava Jato, como a divulgação de grampos de Lula, sua atuação para invalidar um habeas corpus concedido para tirar o petista da cadeia, além da própria decisão de divulgar a delação de Palocci as vésperas de uma eleição.

Se antes a narrativa de parcialidade contra o magistrado era reforçada a todo instante por militantes e simpatizantes do Partido dos Trabalhadores, agora ganha corpo sob análises de Juristas e especialistas em Direito. “A tradição do Judiciário é a de imparcialidade. De não ter lado, de impessoalidade. O aceite de Moro traz um risco de que se acentuem as críticas em relação ao Judiciário, fazendo a população perder o respeito em relação a este poder. E ele não pode botar tudo a perder.”, observou o professor de Direito Público Carlos Ari Sundfeld, da Fundação Getúlio Vargas, ao “Estadão“.

“A declaração evidencia uma aproximação político-partidária incompatível para a isenção que se espera de um magistrado que, neste caso, julgaria o adversário político do presidente eleito”, afirmou a Folha de S. Paulo Juliano Breda, ex-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Paraná, ainda antes do ‘sim’ de Moro.

Responsável por mais de 200 condenações contra 140 réus – na grande parte, políticos e empresários importantes – na maior operação anticorrupção do país, Moro estará subordinado a um. É a desmoralização da moralidade.

Repercussão internacional 

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