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Cartola: o que dizem os investigadores

Há um ano o futebol paraibano era impactado com a deflagração da Operação Cartola. As investigações da Polícia Civil e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, desvendaram o que já era suspeita: a corrupção no futebol local, com foco na manipulação de resultados.

Sede de clubes, da Federação Paraibana de Futebol e casas de dirigentes foram alvos de busca e apreensão, um dia após o Botafogo-PB conquistar o título de 2018 sobre o Campinense.

A Operação, porém, completa um ano enfraquecida com o afastamento de investigadores e sem novos desdobramentos, comum em outras operações.

Para o ex-Superintendente da Polícia Civil, Marcos Paulo, a Operação Cartola sofreu com interferência política. “É repugnante essa interferência política na Polícia Civil que representa o Estado investigador. A Polícia Civil não é polícia de governo e sim de estado. Sua atribuição é investigar atos e fatos tidos como criminosos cometidos por pessoas, independente de classe social, cor, raça…”, disse ao blog.

Paulo se refere às mudanças promovidas pelo Governo do Estado na Polícia Civil em outubro do ano passado, atingindo ele e o delegado Lucas Sá, então titular da delegacia de Defraudações e Falsificações.

Ele vê que a Operação oferecia potencial para mais. “O saldo ainda é a não continuidade das investigações, pois teriam vários desdobramentos”, observou.

“O saldo são 4 delgados diretamente ligados à operação removidos, sendo 3 da DDF (Delegacia de Defraudações e Falsificações) e eu como superintendente. Um enfraquecimento da DDF, por essas remoções e retirada de vários investigadores”, completou.

Também ouvido pelo blog, o coordenador do Gaeco, Octávio Paulo Neto, afirmou que a Cartola “trouxe a lume o que todos sabiam, mas não conheciam” sobre o futebol. Ele vê que provas robustas foram apresentadas para a condenação dos envolvidos.

“Acredito que as matrizes de prova apresentadas pelo estado-acusação sejam robustas, pois como disse as fraudes e manipulações eram de amplo domínio, logo creio que o judiciário irá acolher a Operação pretensão, com os temperamentos devidos”.

O primeiro julgamento dos envolvidos, entre ex-dirigentes e árbitros, foi marcado na última semana pela 4ª Vara Criminal de João Pessoa para o dia 16 de maio, às 14 horas. Eles responderão pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e crimes contra o futebol, baseado no Estatuto do Torcedor.

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