O beijo que Cássio precisava

Por Maurílio Júnior

O ex-presidente Lula (PT) uma vez disse em 2010: “Político sem mandato, nem vento bate nas costas”. A frase faz referência às vantagens e aos afagos com os quais só os políticos bem sucedidos nas urnas são contemplados.

Derrotado na eleição passada para o Senado, o ex-governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), sabe bem disso. Morando em Brasília, tucano diminuiu o ritmo de aparições públicas. Uma atitude rara, diga-se, a tomar como exemplo outros casos de políticos sem mandatos, que provocam incessavelmente fatos para alimentar o ego de continuar sendo falado.

A exceção de Cunha Lima aconteceu na cerimonia de inauguração do Conjunto Habitacional Aluízio Campos, em Campina Grande, nesta segunda (11). Espontaneamente ou não, o ex-senador fez valer outra velha máxima: quem é rei nunca perde a majestade – pelo menos em Campina. Sem mandato, Cássio roubou a cena ao ser ovacionado pelo público e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro (veja e ouça abaixo).

“A maneira como ele foi recebido por vocês… Me desculpem, mas ele não é mais patrimônio de Campina Grande. Ele não é mais patrimônio do Nordeste, é patrimônio do Brasil. E, pelo que vi dele neste dia, ele tem mais 40 anos para trabalhar por nós. Deus lhe deu vida longa”, disse Bolsonaro.

Com direito a marca de batom no rosto, Cássio recebeu aquele beijo de elevar a autoestima de qualquer político, com ou sem mandato. Depois de tropeços nas urnas, Cássio precisava. E com alívio: um beijo que não trará problema em casa.

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